Servo pródigo ou filho devedor?

Já parou pra pensar no que havia por trás da decisão do filho pródigo – palavra que significa “esbanjador, dissipador” – quando despertou para sua real situação e planejou voltar para a casa do pai?

Ele pensou:

“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei:…

…faze-me como um dos teus jornaleiros.”

Lucas 15:18, 19b

Desse modo ele trabalharia durante a jornada diária e, ao fim de cada tarde, exigiria o pagamento pelo seu trabalho. Parece justo, mas é um modo de deixar o pai como seu devedor, invertendo até mesmo a ordem das coisas conforme estabelecida por Deus ao criar a família.

Às vezes o homem acha que, por trabalhar na casa do Pai, pode se tornar credor de Deus. Mas o pai sabia muito bem como frustrar esse projeto do coração rebelde do filho.

Ao restaurar sua condição na casa o pai tapou a boca do rapaz, rejeitando seus argumentos.

A partir dali, a cada manhã, quando acordasse em uma cama limpinha, com o café pronto na mesa e todas as demais regalias que tinha à sua disposição na casa do pai, o filho pensaria consigo mesmo:

SOU UM DEVEDOR

(de uma dívida impagável…)

O pedido de Jacó

Vale a pena lermos o texto:

9 – Disse mais Jacó: Deus do meu pai, Abraão, e Deus do meu pai, Isaque, ó Senhor, que me disseste: Torna à tua terra, e à tua parentela, e far-te-ei bem;

10 – Menor sou eu que todas as beneficências e que toda a fidelidade que tiveste com o teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão, e agora me tornei em dois bandos. Gen. 32:9,10

CONTEXTO

Jacó havia saído muitos anos antes da casa do pai, Isaque. Agora estava retornando para lá. Sua preocupação era o modo como o pai e – especialmente – o irmão mais velho o receberiam, por isso ele faz essa oração.

Podemos ver aqui a tipificação de nosso retorno à casa do Pai celestial, de onde o homem saiu há muito tempo atrás. Como seremos recebidos lá, na casa do Pai, na Eternidade? Essa é nossa preocupação agora.

Já temos recebido muitas bênçãos, mas ainda não chegamos à casa do Pai, por isso oramos e buscamos a bênção do Senhor também.

O PEDIDO DE JACÓ

  1. “Deus de meu pai Abraão” – O Deus de quem Jacó ouviu falar. Porém não presenciou as experiências de Abraão. Assim também nós temos notícias dos feitos de Deus no passado, mas não são elas que nos definem espiritualmente.
  2. “Deus de meu pai Isaque” – Jacó aqui se refere às experiências que ele testemunhou em sua casa, na vida de seu pai. Nós temos também presenciado experiências na vida de nossos irmãos e familiares.
  3. “Senhor” – Agora Jacó nos convence de que possuía sua própria experiência com Deus.
  4. “Tu que me disseste” – Assim como Jacó podemos dizer que temos ouvido a voz do Senhor, nos chamando para voltarmos à casa do Pai.
  5. “E far-te-ei bem” – O convite do Senhor ao homem segue acompanhado de uma promessa – o bem.
  6. “Menor sou eu que todas as beneficências e que toda a fidelidade que tiveste com o teu servo” – Jacó queria dizer que não estava à altura das bênçãos que havia recebido do Senhor – Era um servo devedor, como nós.
  7. “Com meu cajado passei este Jordão” – Ele se recorda do início da sua caminhada. Assimcomo ele, nós não tínhamos senão a direção do Espírito Santo.
  8. “agora me tornei em dois bandos” – Jacó havia acumulado tanta riqueza que precisou dividir em duas partes a sua caravana. Nós também temos sido muito abençoados em dois tipos de riqueza: provisão material e provisão espiritual.

Ele então pede que o Senhor lhe dê uma bênção quando encontrasse com seu irmão. Apesar das falhas de Esaú, ele foi o primogênito do pai Isaque e era agora o que gerenciava a casa.

Nesse aspecto Esaú nos lembra da pessoa do Senhor Jesus, que também é o Primogênito do Pai e por quem queremos ser bem recebidos ao chegar ao céu, a casa do Pai.

Deus ouviu a oração de Jacó e o primogênito do pai o recebeu com um abraço e uma palavra de paz. Assim também queremos ser recebidos pelo Senhor Jesus, em paz:

Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos do meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo; Mateus 25:34

Pedro e o peixe que pagou sua dívida

Maurílio Matheus me mandou isto:

Na ocasião em que Pedro foi questionado sobre se seu Mestre pagava tributos (Mat. 17:24) podemos entender que:

  • Pedro tinha um tributo a pagar – isso remete à nossa condição de devedores, como ele.
  • Não temos com que pagar: Salmo 49:8
  • O conselho de Jesus: Pedro deveria ir ao mar e pegar um único peixe.
  • Entre tantos “peixes”, somente um trazia consigo (dentro de si) o valor do resgate (Moeda de prata – salvação)

Era simples mas exigia fé: crer que o único peixe continha dentro de si o valor necessário à salvação. O evangelho é simples, mas é para aqueles que crêem.

O peixe tirado do mar que continha dentro de si o valor da redenção – Tipo do Senhor Jesus que se igualou ao homem pecador para resgatá-lo

Porém seria necessário que o peixe fosse morto para que o tributo fosse pago – A morte vicária e substitutiva do Senhor Jesus.

A redenção estava dentro do peixe à assim como a vida eterna está dentro de Jesus (E o testemunho é este: Que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. IJo 5:11-12).

Ótimo isso, não?

Verbos – final

Concluindo os textos anteriores, analisando os dois versos iniciais do Salmo 116, vamos falar do tempo verbal denominado

Futuro

• “o invocarei enquanto eu viver”

Acho bom iniciarmos o ano pensando nessa “resolução para o futuro” feita pelo rei-poeta-profeta: diante de um futuro tão incerto, cheio de possibilidades, a uma coisa ele se propõe – invocar ao Senhor.

Não faz promessas absurdas ou planos irrealizáveis.

Por fim, o último verbo a ser notado nestes dois versículos é o verbo viver, que fecha o texto e se encontra no tempo verbal chamado infinitivo – sem passado, presente ou futuro – infinitivo, isto é, viver para o servo de Deus é eternidade…