Salmo 61:2 – Leva-me para a Rocha que é mais alta do que eu

Ao nos criar, o Senhor Deus posicionou nossos olhos e nossa mente na parte mais alta do nosso corpo. Assim temos o ponto de vista mais privilegiado que nossa própria estatura consegue nos proporcionar.

Porém, como desde cedo a gente percebe, essa altura nem sempre é suficiente e precisamos de ajuda externa. Queremos enxergar mais alto e mais longe.

No salmo citado, o autor, Davi, reconhece que seu limite está à altura de sua mente, seu “eu”, e pede a Deus que o leve àquela Rocha que é – ele sabia disso – mais alta do que ele.

Eu e você temos consciência disso? De que a Rocha – figura frequente na Bíblia para apontar profeticamente a pessoa do Senhor Jesus – é mais alta do que o nosso Eu?

Temos consciência de que, se estivermos posicionados nessa Rocha, poderemos enxergar muito mais alto e mais longe, com clareza, podendo inclusive antecipar o movimento das tropas inimigas que se levantam contra nós?

Peçamos também isso ao nosso Deus: Leva-me, conduz a minha vida, para que eu enxergue as coisas do ponto de vista mais alto do que o meu próprio.

Além disso, estaremos seguros, abrigados nessa Rocha, protegidos e guardados n’Ele.

Salmo 63 – como te vi no santuário

O salmista queria ver novamente a fortaleza e a glória do Senhor que tinha visto no santuário.

No santuário, tudo aponta para as riquezas maravilhosas do amor e do poder de Deus, que excede a razão e não depende da lógica humana. Ali Deus se revelara a Davi e até hoje se revela aos que O buscam de todo seu coração.

Nosso desafio – era o de Davi também – ver tudo aquilo sobre o poder e o amor de Deus fora do santuário. No seu dia a dia, na prática cotidiana, nas coisas comuns, nos problemas desta vida, seu pedido era que pudesse ver fortaleza e glória “como tinha visto no santuário”.

Podemos – e precisamos – pedir a mesma coisa ao nosso Deus. Assim nossa “religiao” não ficará restrita ao ambiente da igreja, mas se estenderá e abrangerá toda a nossa existência. Davi precisava que Deus – acerca do qual ele aprendeu com seus pais e nas suas visitas à tenda onde estava a arca do concerto – se manifestasse ali, na guerra contra os filisteus e seu campeão, Golias.

De nada serviria, na prática, um Deus de longe, de dentro de tendas ou templos, se ali – onde Davi mais precisava – ele não pudesse contar com Ele.

Se sua vida espiritual, caro leitor, está restrita a um local de culto, ore como Davi: quero ver tua fortaleza e tua glória, como te vi no santuário.

As Duas Obras de Deus

Vamos usar o texto de João 9 – A cura do cego de nascença – para falar um pouco sobre AS obras de Deus. Vamos aproveitar que o Senhor Jesus usou a expressão no plural para colocar as coisas do seguinte modo:

Duas idéias mentirosas já eram comuns nos tempos em que Jesus esteve nas terras de Israel:

  1. A enfermidade de nascença (no caso, a cegueira) era resultado, consequência de pecado anterior ao nascimento da pessoa – ou seja, em “vidas passadas”, como defendem os que acreditam na reencarnação;
  2. A enfermidade de nascença era resultado, consequência de pecado dos pais, anterior ao nascimento do filho. Algo como as famigeradas maldições hereditárias.

O Mestre rebate incisivamente dizendo que nem ele nem os pais pecaram. Diz mais, que aquela enfermidade daria ocasião à manifestação das obras de Deus.

Deus realiza duas grandes obras:

  • A que pode ser chamada de Obra Criadora e
  • A que pode ser chamada de Obra Redentora.

Ambas aparecem, como disse o Senhor Jesus, na história do cego de nascença, veja só:

  • A Obra Criadora, feita através de Jesus, o Verbo, trouxe o homem à existência – “Deus fez o homem bom” – mas essa Obra foi atingida pelo pecado (bem exemplificado na cegueira, que aqui representa todas as demais doenças que afligem a humanidade). Essa foi consumada nos seis dias.
  • A Obra redentora, também feita através do Senhor Jesus, resgata o homem dessa existência enferma e o restaura diante de Deus. Nesta, como disse o bendito Filho de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo trabalham até agora.

Por isso a preferência de Jesus em curar primeiramente a alma e depois o corpo, como no outro caso, o do paralítico de Cafarnaum. O material já tem seu fim determinado. O espiritual ainda está em aberto, dependendo da decisão pessoal de cada um de nós. Quando alguém diz: “Fulano está na Obra”, entenda bem: É de sua redenção que está tratando. Se o fulano não estiver, estará apenas na primeira Obra, criadora. Mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre. Amém.

venham-e-vejam