…fitando os olhos nele, disseram-lhe: olha para nós!

A geração atual carece de boas referências. Vivemos numa época em que o papel dos mocinhos foi assumido pelos bandidos. Recentemente abandonei uma websérie que estava acompanhando, que trata dos meandros da política americana do ponto de vista de um lobista. Fiz isso quando me dei conta de que estava torcendo pela personagem principal – um político mau-caráter. Ficava na expectativa para saber como ele iria se safar de mais um problema criado pelos seus próprios atos corruptos. E ele sempre escapava. Em dois filmes recentes da franquia Batman a personagem mais interessante era a do vilão. Pra onde isto está nos levando? Ou melhor: pra onde isso está levando a próxima geração de profissionais, pais de família, governantes, a sociedade como um todo? Será que isso é um fenômeno social espontâneo ou haverá um plano por trás desse rumo que as coisas estão tomando?

Bem, em vez de especular isso, prefiro, por hora, procurar fazer melhor a minha parte, aquilo que está ao meu alcance. SER uma boa referência para os que vem após mim. A começar pelos meus filhos.

Sou um sujeito de pouca paciência, reconheço. Muitas vezes isso toma uma dimensão ainda maior no trânsito – o que acontece com a maioria de nós. Ultimamente, porém, tenho mantido em mente que os meus filhos se espelharão em mim, inclusive nessa área. Assim, além de obedecer às regras de circulação, tenho procurado não esbravejar sozinho diante dos erros alheios, como fazia. Achei melhor aproveitar cada situação para mostrar, de modo didático, os maus hábitos de outros motoristas ao volante, e suas possíveis trágicas consequências.

Muitas vezes reconheço em minhas próprias atitudes, características do comportamento do meu falecido pai. Ora com pesar, ora com muito, muito orgulho. Espero que deixe ainda mais orgulho que pesar

Olha para nóspara o futuro de meus filhos. E que esse orgulho lhes sirva como fonte de inspiração, para que sejam “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeçam como astros no mundo” (Filipenses 2:15)

Jairo, eu e você

Depois que Jairo se encontra com Jesus (e isso é uma figura da salvação, o encontro com o Salvador), passa a andar em Sua companhia. O ambiente ao lado do Senhor era muito diferente do ambiente de sua casa, onde havia tristeza e morte.

Andando com Jesus, mesmo antes de ver seu próprio problema solucionado, Jairo viu o de outros crentes como ele sendo resolvidos, como o da mulher hemorrágica.

Porém vieram ao seu encontro seus antigos amigos, que eram sua companhia anterior, com uma má notícia – a filha acabara de falecer.

Jairo poderia ter desistido de continuar andando com Jesus, mas recebeu d’Ele uma boa palavra:

“Não temas, crê somente, e será salva”

Depois que nos encontramos com o Senhor começamos a andar na companhia de Jesus e de Seu povo, num ambiente de paz e alegria, que é a Igreja. Diferente dos ambientes pesados em que vivíamos, onde a morte nos rondava.

Temos visto o Senhor operar na vida dos irmãos e isso fortalece a nossa confiança de que Ele irá operar em nossas vidas também.

Mas ainda assim podemos receber más notícias. Aí será a hora de optarmos entre nos deixar abater pelos maus rumores à nossa volta ou continuarmos a caminhar com o Salvador, crendo que na hora certa Ele irá operar em nosso favor.

Toda casa tem dracmas – ou devia ter…

Quando fala da mulher que perdeu uma dracma na parábola contada em Lucas 15:8,9 Jesus deixa um ensino importante sobre a família.
Na verdade, quando Deus criou a família deu a ela um conjunto de valores que são a sua verdadeira riqueza.
Coisas como lealdade, confiança, amor, companheirismo, paciência, tolerância, disciplina, conselho… e outras tais.
Esses reais valores estão se perdendo em algumas casas e as pessoas não estão lhe dando o devido valor.
A dracma era uma moeda de pequeno valor comercial e, para alguns, talvez nem fizesse falta. Perde-se uma hoje, outra amanhã…
Mas aquela (sábia) mulher, ao primeiro sinal de perda tomou logo suas providências:

  • Acendeu a candeia – Não é de se espantar que em uma casa às escuras as coisas se perdessem. Se não houver em nossa casa a luz verdadeira que alumia o mundo, não há como se conservar seus reais valores. Acender a candeia é ter o coração cheio do Espírito Santo e a casa conduzida na orientação do Senhor, à luz dos dons espirituais.
  • Varre a casa – Mesmo as sujeiras mais finas, que entram pelas pequenas brechas, precisam ser retiradas. Enquanto resgatava seu valor perdido, aquela mulher purificava sua casa. Precisamos disso também em nossos lares.

Mas ninguém varre uma casa no escuro. Não dá certo. É preciso fazer essas coisas na mesma sequencia: Acender a candeia e, então, varrer a casa. Há pessoas que querem limpar sua vida antes de aceitar Jesus em sua casa. Mas é Ele quem lhe dará condição de limpar sua casa e sua família.
Depois disso a alegria dela transbordou para seus amigos e vizinhos.

Chorando pela própria família

Diz a Palavra do Senhor que Davi com seus soldados, ao voltar de uma campanha vitoriosa para sua cidade, Ziclague, encontrou sua casa queimada a fogo, saqueada e sem sua família.

Davi não blasfemou – mas ficou amargurado.
Davi não murmurou – mas ficou muito abatido.
Davi não pecou contra Deus – mas encontrou forças n’Ele.

Diz o texto (I Samuel 30) que Davi chorou até não ter mais forças.
Chorou por seu lar até não ter mais forças

Às vezes, mesmo tendo vitórias fora de nosso lar, prosperando nos estudos e no trabalho, o homem encontra seu lar em ruínas.
Ao invés de blasfemar, murmurar ou pecar contra Deus, o servo do Senhor chora. Chora aos pés do Senhor, procurando forças n’Ele.

Muitos de nós já aprendemos isso. Temos orado, jejuado e madrugado pelos familiares.
Mas será que estamos imitando Davi no seu comportamento que o levou a um lar mais enriquecido?
(Eles perseguiram os amalequitas sob orientação de Deus e resgataram a família e ainda saquearam os inimigos)

Davi chorou enquanto teve forças.
Às vezes choramos por um ou dois dias depois de constatar que os filhos estão se distanciando de nós ou do Senhor.
Às vezes jejuamos por uma semana quando desconfiamos que podem não estar vivos mais – espiritualmente.

Faça como Davi. Chore ATÉ NÃO TER MAIS FORÇAS. Mesmo sob ameaças, como Davi, que quase foi apedrejado.

“…põe as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas no teu livro?” Salmo 56:8

“… de jejuar estão enfraquecidos os meus joelhos…” Salmo 109:24