E outra caiu entre espinhos…

“…e os espinhos cresceram, e sufocaram-na”

Se, da mesma maneira com que poderíamos tratar a terra solada ao pé do caminho, cuidarmos para que o novo convertido lance de seu coração os “cuidados do mundo e a sedução das riquezas”, essa terra também permitirá à semente um desenvolvimento saudável.

Assim vemos que a parábola do semeador pode muito nos servir para despertar no coração da igreja a certeza de que vale a pena o esforço empreendido junto aos novos.

Se não for assim, dos visitantes restarão apenas os que já vierem para a igreja com o coração preparado. São aqueles que se firmam, a despeito de nossas muitas falhas ao assistirmos a sua vida. Imaginamos que crescem por si só, afinal são eles os beneficiados mesmo…

Se nos lançarmos a este trabalho de cooperar com o semeador, muito possivelmente a proporção entre a semente lançada diariamente e os frutos colhidos será outra.

Outra caiu entre pedregais…

“…onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.”

Algumas pessoas, quando recebem a Palavra, conservam no coração certas resistências, reservas da dureza natural do coração humano. A princípio essas coisas parecem não impedir a integração da pessoa na igreja e algumas poucas experiências com Deus.

Porém, com a saída do sol das lutas, essas pequenas coisas ganham muita importância. São como as pedras ocultas sob a superfície recebem e retém mais calor do que a terra ao redor. E isso é capaz de matar a raiz que garantiria a vida da plantinha recém nascida.

Por isso é bom a gente logo tratar dessas pequenas reservas que nosso coração costuma guardar, levando-as diante do Senhor em oração. Dúvidas, reclamações e possíveis saudades de pecados já abandonados, sem falar nos que ainda insistem em nos acompanhar.

Amanhã a gente fala dos dois tipos de terrenos restantes.

Saiu o semeador a semear

Já te pareceu falar de Jesus para uma pessoa que não pretende te ouvir? Ou já se deparou com alguém que dois ou três dias depois de uma experiência maravilhosa com Deus parece que nunca esteve na igreja? Ou então outro que havendo começado muito bem na caminhada parece ter perdido toda a alegria de servir ao Senhor com o passar de alguns meses, parecendo que salvação para ele é um grande fardo, que leva aos suspiros? Pois é disso que trata essa parábola.

Esta é a primeira das sete parábolas de Mateus 13. O próprio Senhor Jesus afirma que a semente é a Palavra de Deus. Assim já sabemos que a semente é boa. As diferenças observadas na colheita em cada solo se devem à variedade do terreno, o modo com que cada tipo de coração interage com a semente-Palavra.

Para que este post não fique muito extenso vamos ver o primeiro tipo de solo mencionado na estória do Professor:

E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na; – Mateus 13:4

É já comum aos pregadores da Palavra associar esse tipo de terreno com o coração endurecido pelos muitos “pisões” que leva, as decepções da vida, que tornam o homem resistente a qualquer tipo de semente que queira entrar.

Mas o que queremos salientar é que mesmo este tipo de coração pode ser trabalhado. Claro que haveremos de empenhar mais esforço, afinal será necessário quebrar e esterroar para que se possa entranhar a semente que, teimosa, trará vida àquele solo morto.

Esse é o tipo mais árduo de assistência que há. Espantar as aves que rodeiam o coração do homem, usar a ferramenta certa – oração, jejum, madrugada, visitas, serenatas – para quebrantar o solo petrificado.

Mas, qual o homem duro o suficiente para resistir à ação do Espírito Santo?

Escutai vós, pois, a parábola do semeador.
Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho; Mateus 13:18, 19

E desta outra história, você se lembra?

E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês?
E ele disse: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? Atos 8: 30, 31a