Âncora da alma

ancora

“(esperança proposta) a qual temos como âncora da alma, segura e firme, que penetra até ao interior do véu.”
Hebreus 6:19

A âncora é um instrumento que tem um objetivo muito específico: atracar o barco, estabelecer seu lugar. Caso contrário ele fica à deriva, ao sabor das águas inconstantes. Uma vez lançada, em efetivo serviço, está atada ao navio por uma corda ou corrente e, lançada à profundeza, fica então invisível para quem está à superfície das águas.

Assim sendo, quando visível, a âncora dá sinal de que o barco está, na verdade, solto. Do mesmo modo, a alma, que enfrenta o mar desta vida, não pode ficar ao sabor dos ventos e das ondas. Ainda que estes a empurrem para um e outro lado, precisa estar ancorada, firme, para não ser levada e se perder longe de um porto seguro.

Hebreus é o livro que nos apresenta a fé em detalhes e diz que ela é a certeza do que se espera, o firme fundamento da esperança que nos foi proposta. Assim, a fé não é um enfeite para o barco da alma, mas algo que, apesar de invisível, mostra seus resultados de maneira prática. diz o texto que ela “penetra até ao interior do véu”, isto é, a ETERNIDADE. Portanto, a fé é o nosso vínculo com o Eterno e, por isso, por atingir o invisível, não poderia ser algo exterior, aparente.

Posso não ver a fé que há em você, caro leitor, mas ela – se estiver em ação – lhe dará uma firmeza, uma estabilidade inconfundíveis. Ainda que estejamos todos juntos numa congregação, isso nada provará daquilo que é invisível. Estar presente num templo nos faz tão crentes quanto estar numa garagem faz de nós um carro.

Entendemos assim que as manifestações meramente exteriores da fé nada mais são que apenas decoração, como uma âncora pendurada na parede do barco. Uma vez lançada a fé rumo à Eternidade, mostrará sua eficácia quanto mais fortes os ventos que se levantarem contra o pequeno barco da sua alma. As ondas? São um teste para ela. Não está firme em razões ou recursos humanos, mas na Rocha Eterna, invisível e perene no Reino Celestial.

Lance a sua fé na pessoa maravilhosa de Jesus. Além de manter firme seu barco, é só Ele quem pode, inclusive, aquietar as ondas e fazer cessar os ventos. Creia nisso.

“Não entres na questão desse justo”

A influência grega ainda era muito forte nos tempos de Jesus e a filosofia havia colocado em questão o sentido da vida e da existência. Questionava-se sobre um tudo, em busca das melhores respostas, que logo ficavam obsoletas, antiquadas, a cada novo filósofo que se apresentava.

Nesse ambiente cultural vem o Senhor Jesus trazendo, Ele sim, todas as respostas ansiadas pelo coração sedento da humanidade. A diferença, porém, é que essas respostas não passavam exclusivamente pela razão humana, porém atingiam em cheio a sede da alma, do coração. Por isso era difícil – impossível mesmo – compreender o que o Senhor ensinava valendo-se somente da razão, tão em voga na época.

Por diversas vezes vemos a pregação do Senhor ser mal interpretada pelos seus contemporâneos, como aconteceu no dia da multiplicação dos pães, por exemplo. Paulo iria mais tarde escrever que o evangelho é loucura para os que se perdem, e que aprouve a Deus salvar os homens através da loucura da pregação.

Diz o evangelista Mateus acerca de Pilatos:

“E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele.” Mateus 27:19

Pilatos estava prestes a tomar uma importante decisão a respeito de Jesus, sem perceber que estava, na verdade, decidindo acerca de seu próprio futuro. A situação se reflete na história de toda a humanidade – decidir acerca de Jesus é decidir, em última instância, acerca de si mesmo. Nunca é uma decisão fácil ou simples, como poderia parecer.

Mas a esposa dele, ao chegar ao seu ouvido com um conselho, pode representar pra nós a figura da IGREJA, em seu papel de aconselhar o homem, baseada naquilo que lhe foi dado de modo sobrenatural. Não há como duvidar de que o sonho lhe foi dado por Deus, para revelar aquilo que a razão não conseguia compreender. A mulher – cujo nome nos é desconhecido – é figura de uma igreja que só alcança esse segredo pela misteriosa influência do Espírito Santo.

Tivesse Pilatos dado ouvidos a ela e teria sua história mudada, de vilão em herói, de vergonha em honra, a partir daquele dia.

Como parte da Igreja, uso este humilde site pra dizer também a você, leitor: pense bem antes de decidir sobre Jesus. Seu futuro – nesta e na outra vida – depende diretamente disso.