Senhor, Lembra-te de mim …

… quando entrares no teu reino. Esta célebre frase, dita entre os últimos gemidos de um crucificado anônimo, nos arredores de Jerusalém há mais de dois mil anos, diz desse homem tudo que precisamos saber. No mais, sabemos que era um criminoso perigoso, cujos atos – ele mesmo confirma isso – o levaram até à pena capital.

Todavia ele acha, às portas da morte, uma outra Porta, sem igual, aberta pra si (e pra todos nós). Essa Porta apontava uma esperança maravilhosa, um segredo para ele até ali, mas que pela bondade e misericórdia de Deus se revela a ele.

Esquecido de todos, dos amigos, da família, do governo, encontra no Salvador a mais impensável perspectiva. Seu clamor resume sua necessidade, claramente compreendida por ele: Enquanto o outro criminoso queria descer, por achar que a cruz era ponto final, este porém quer ir adiante, quer prosseguir. Entende que a cruz é passageira, mas o Reino é eterno. Mas sabe que não conseguirá sozinho, precisa de ajuda, de alguém que o leve, de alguém que se lembre dele.

“Pedi e dar-se-vos-á” – Essa doce promessa demonstra sua fidelidade pouco antes da partida do Senhor Jesus. “Todo que pede, recebe”, Ele havia declarado. Não sabemos se esse malfeitor ouviu isso, essa promessa de Jesus, talvez escondido no meio da multidão maravilhada com os feitos e as Palavras do Mestre.

Mas quero terminar este despretensioso texto salientando que mesmo no auge de sua aflição e angústia, aquele homem teve sabedoria de Deus para exortar ao outro ladrão, tentando fazer com que ele enxergasse o maravilhoso momento que ambos viviam pela maravilhosa graça do Senhor: Não se tratava de defender Jesus, ele tentava defender o seu “colega” de cruz. Jesus não precisava de advogado, sendo o Maior Advogado que há. Quem precisava mesmo de defesa era o outro.

Talvez olhando desse modo, possamos nos identificar com ele. Como escreveria mais tarde o apóstolo Paulo na sua segunda carta aos Coríntios, no cap. 6:10: “como pobres, mas enriquecendo a muitos”. Exortar os homens em nome de Jesus, para que temam a Deus e lhe deem glória, para que não blasfemem mas glorifiquem a Deus, aproveitando a maravilhosa oportunidade que a graça de Deus neste tempo a nós se revelou. Isso fazemos, muitas vezes, em meio a dores e gemidos. Lembra-te de nós, Senhor, aí no Teu Reino. Maranata!