“Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo”

Esse curioso texto se encontra no livro do profeta Habacuque, no capítulo 2, verso 2. Eu o peguei emprestado para escrever correndo também, pra não perder a oportunidade de deixar bem legível, na tábua do seu celular, tablet ou computador:

s it 3_00pm_

Sei que você está com pressa, por isso fui bem objetivo hoje. É só isso. Pode voltar ao que estava fazendo… 😉

Edificai casas e habitai-as; e plantai jardins, e comei o seu fruto

casa e jardimJeremias, no capítulo 29 e no verso 5 de seu livro, aconselha o povo de Judá, levado cativo para a Babilônia, a não viver de passado nem de futuro. O passado traz lições, o futuro traz esperança. Porém nenhum deles está em nossas mãos. O presente, por sua vez é o que está ao nosso alcance. Por isso se chama presente: é uma dádiva do Todo-Poderoso ao homem.

Para efeito didático, vamos organizar as coisas do seguinte modo:

Vamos associar a primeira parte “Edificai casas e habitai-as” com a nossa vida interior. Edificar é construir. Vamos lembrar que toda construção pessoal sem a colaboração do Senhor é vã, como diz o salmo 127. Isso quer dizer que é uma construção efêmera, por mais suntuosa que pareça ser, não será permanente, não durará eternamente, pois tudo que Deus faz durará para sempre (Eclesiastes 3:14), por isso, peça ajuda ao Criador, Ele sabe fazer rápido e bem feito. A casa é para desfrute pessoal e dos mais próximos, tem setores específicos: quartos, salas, cozinha, etc… Cada um com um propósito. Edifique sua casa, sua vida pessoal, trabalhe nisso. Aguardamos, sim, a volta do Senhor Jesus, mas Ele quando vier procurará fé na Terra e essa fé não pode ser teórica, precisa ser vivida na prática e aparecer nas nossas obras. Deixe a fé construir sua vida particular.

Vamos associar a segunda parte “Plantai jardins, e comei o seu fruto” com a nossa vida exterior. É aquilo que as pessoas veem de nós, mesmo que não tenham a liberdade de entrar em nossa vida pessoal, é o que os crentes chamam de “testemunho”. Saiba que, quer queira quer não, quer plante e cuide, quer não faça isso, não vai deixar de comer do fruto disso. Cuide de sua vida exterior, daquilo que se pode ver em você. Fuja da aparência do mal, tenha paz com todos os homens, naquilo que depender de você, deixe a boa impressão de que, se o exterior é assim tão bem cuidado, o interior ainda mais o será.

Tenha, porém, o seguinte cuidado: comece a edificar a casa e depois a cuidar do jardim. Nessa ordem. Não aconteça que sua vida se torne um “sepulcro caiado”, como advertiu o Senhor Jesus.

Finalmente, entenda que não estamos dizendo que o cristão deve ter “duas vidas”, externa e interna. Lembremos que a primeira casa do homem era uma coisa só com o jardim.

Senhor, Lembra-te de mim …

… quando entrares no teu reino. Esta célebre frase, dita entre os últimos gemidos de um crucificado anônimo, nos arredores de Jerusalém há mais de dois mil anos, diz desse homem tudo que precisamos saber. No mais, sabemos que era um criminoso perigoso, cujos atos – ele mesmo confirma isso – o levaram até à pena capital.

Todavia ele acha, às portas da morte, uma outra Porta, sem igual, aberta pra si (e pra todos nós). Essa Porta apontava uma esperança maravilhosa, um segredo para ele até ali, mas que pela bondade e misericórdia de Deus se revela a ele.

Esquecido de todos, dos amigos, da família, do governo, encontra no Salvador a mais impensável perspectiva. Seu clamor resume sua necessidade, claramente compreendida por ele: Enquanto o outro criminoso queria descer, por achar que a cruz era ponto final, este porém quer ir adiante, quer prosseguir. Entende que a cruz é passageira, mas o Reino é eterno. Mas sabe que não conseguirá sozinho, precisa de ajuda, de alguém que o leve, de alguém que se lembre dele.

“Pedi e dar-se-vos-á” – Essa doce promessa demonstra sua fidelidade pouco antes da partida do Senhor Jesus. “Todo que pede, recebe”, Ele havia declarado. Não sabemos se esse malfeitor ouviu isso, essa promessa de Jesus, talvez escondido no meio da multidão maravilhada com os feitos e as Palavras do Mestre.

Mas quero terminar este despretensioso texto salientando que mesmo no auge de sua aflição e angústia, aquele homem teve sabedoria de Deus para exortar ao outro ladrão, tentando fazer com que ele enxergasse o maravilhoso momento que ambos viviam pela maravilhosa graça do Senhor: Não se tratava de defender Jesus, ele tentava defender o seu “colega” de cruz. Jesus não precisava de advogado, sendo o Maior Advogado que há. Quem precisava mesmo de defesa era o outro.

Talvez olhando desse modo, possamos nos identificar com ele. Como escreveria mais tarde o apóstolo Paulo na sua segunda carta aos Coríntios, no cap. 6:10: “como pobres, mas enriquecendo a muitos”. Exortar os homens em nome de Jesus, para que temam a Deus e lhe deem glória, para que não blasfemem mas glorifiquem a Deus, aproveitando a maravilhosa oportunidade que a graça de Deus neste tempo a nós se revelou. Isso fazemos, muitas vezes, em meio a dores e gemidos. Lembra-te de nós, Senhor, aí no Teu Reino. Maranata!

FÉ MECÂNICA

Este texto foi escrito por uma jovem da ICM de Ubá/MG, em seu blog “Arauto do Evangelho” (arautosdoevangelhoblog.wordpress.com). Faça-lhe uma visita, vai achar boas pérolas por lá.

TESOURO EM VASO DE BARRO

“E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam…” Lucas 19:45

O texto está inserido no episódio em que Jesus purifica o templo. Embora eu tenha escolhido usar a narração de Lucas, chama a minha atenção o fato de ser encontrado em todos os quatro evangelhos. Penso que esse dia tenha ficado profundamente marcado no coração daqueles homens.

A Bíblia diz que estava próxima a páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém…

A Páscoa – passagem – remonta à época em que os israelitas eram escravos no Egito, quando o Senhor poupou os primogênitos de todas as casas que tinham o sangue do cordeiro sacrificial, na preparação para o êxodo. Mais tarde, Deus ordenou que o povo sacrificasse a páscoa, em lembrança à libertação do Egito (Dt 16), mas a festa deixou de ser uma celebração genuinamente santa.

Um trecho do comentário bíblico de…

Ver o post original 477 mais palavras

Mas este nenhum mal fez

O título deste post nos remete ao texto bíblico do evangelho de Lucas, que registra o diálogo entre os dois malfeitores crucificados junto com o Senhor Jesus:

E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.

Lucas 23:39-41

O primeiro, apesar de uma vida de crimes e pecados, dava a entender que, se dali em diante continuasse naquele sofrimento terrível, é porque Jesus não era Deus. Estava pronto a terceirizar sua culpa, como faz o homem desde o princípio, desde Adão.

Era um argumento notável, porém extremamente racional e materialista. “Meu reino não é deste mundo”, Jesus poderia ter respondido a ele. Calado, porém, o Salvador dá oportunidade ao segundo ladrão para ser testemunha d’Ele: Mas este nenhum mal fez!

Na mente do primeiro malfeitor, a vida estava para acabar, definitivamente. Assim sendo, a única saída lógica era para baixo: descer da cruz. Era essa a ajuda que ele procurava naquela que era sua maior oportunidade na vida – estava mais perto do Salvador do que jamais estivera antes. Quantos morreram antes dele, naquele mesmo lugar, sem essa oportunidade dourada? Mas ele a desperdiça da pior maneira possível, querendo só ganhar o mundo…

A auto-piedade é um sentimento deveras pernicioso e, se nos domina, nos faz perder oportunidades igualmente únicas na vida. Ao invés de se humilhar e se reconhecer culpado, acha que Deus é injusto em não lhe socorrer como ele, homem, planeja. É o inverso da oração do Filho de Deus: “Seja feita a Tua vontade, e não a minha”. O homem natural, em seu entendimento vitimista, prefere exigir que sua vontade, má, imperfeita e desagradável seja feita, tanto na terra quanto no céu.

Mas há uma igreja Fiel, arrependida, convertida, temente a Deus, resignada, vivendo como testemunha, certa da vida eterna, do Reino que há depois da cruz, a dizer:

Mas este, nenhum mal fez!