Jonas – capítulo 4 – “apascenta os meus cordeiros”

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No capítulo final do livro, que fecha o arco de sua personagem, que já nos foi apresentado desobediente no capítulo 1, quebrantado no capítulo 2 e comprometido no capítulo 3, veremos um novo tipo de declínio que acomete o profeta. Que o Espírito Santo nos ajude a aprender mais sobre nossa própria história.

O capítulo abre mostrando um homem cuja vontade própria ainda tinha forte influência em seu comportamento. Ao ponto de conduzi-lo à ira. Quando nos fez indivíduos portadores do chamado “livre-arbítrio”, estava nos confiando algo que desafiaria nossa persistência e perseverança. Dominar a si mesmo é algo somente possível com o auxílio do Espírito Santo. O domínio próprio – ou temperança – aparece entre os itens do fruto do Espírito mencionados por Paulo quando escreve aos Gálatas. É uma longa guerra. Os resultados do trabalho realizado em Nínive já deveriam ser suficientes para Jonas entender que o Senhor não ia voltar atrás em Seu propósito de abençoar aquele povo. Jonas estava “recalcitrando contra os aguilhões” assim como Saulo haveria de fazer séculos mais tarde.

Ainda havia muito trabalho a fazer. Os ninivitas haviam acabado de crer no Senhor. Mas sua fé ainda estava sujeita a se mesclar mortalmente às suas crendices e superstições. Vivemos uma época assim: Muitos são chamados à fé e se quebrantam diante da Palavra do Senhor. Porém misturam isso às suas filosofias humanas e até malignas, desfigurando a experiência original, que perde sua eficácia. Jonas precisava praticar o que é chamado de discipulado. Precisava aconselhar, acompanhar, instruir a todo aquele povo, recém-nascido na fé. Certamente não era apenas livrar do juízo temporário de Deus sobre a cidade, mas – quem sabe? – levar aqueles homens a um concerto duradouro com Deus, para que o Senhor tivesse neles até mesmo instrumentos para a realização de Seus eternos propósitos.

Jonas porém procura um lugar à sombra para ficar. Acreditava que merecia um descanso, depois de três dias de caminhada pela cidade. Arma ali sua tenda e cruza os braços. O texto nos sugere que Deus concordava com a necessidade de Jonas descansar, tanto que abençoa sua tenda, lhe dando uma cobertura extra: a aboboreira. Porém Seu propósito era dar ao profeta o alívio necessário para que este recuperasse suas forças e voltasse a Nínive, com compaixão por ela. Não foi mais a falta de obediência de Jonas que entristeceu ao Senhor. Foi a falta de compaixão. A compaixão é tão preciosa para Deus que moveu Seu único Filho a descer do céu para ensinar, curar e salvar o homem. Jonas não queria descer de sua tenda na colina.

Ainda hoje podemos ser acometidos pela mesma fraqueza, e nos faltar compaixão para continuar a realizar a Obra como já fizemos um dia. Deus conta conosco, apesar de não precisar de nós. A prova de Seu cuidado conosco está nas aboboreiras que Ele faz nascer sobre nossas tendas. Sim, tendas! Morada provisória! Entenda, Jonas, você não é daqui, você é da Terra Santa, sua morada definitiva, seu descanso verdadeiro está lá, não aqui em Nínive. Aqui é trabalho mesmo.

“Levantai-vos e andai, porque não será aqui o vosso descanso!”

Miquéias 2:10.

Jonas apaixonou-se por sua aboboreira. Qual é a sua aboboreira, amigo leitor? Que Deus tem feito para aliviar suas lutas terrenas? Tem lhe dado uma casa mais confortável ou um carro mais novo? Que bom! Porém não se apaixone por isso. Esteja preparado para perder isso – afinal, nasce num dia e morre noutro, passageiro e fugaz, como todo conforto terreno. Coloque a Obra de Deus em primeiro lugar, deixe as demais coisas serem acrescentadas pelo Fiel Provedor.

Que não nos falte compaixão pelas almas eternas, enquanto lamentamos perdas terrenas ou desejos não satisfeitos. Cuidemos dos novos na fé, foi esta a prova de amor que o Senhor Jesus requereu de Pedro: “apascenta os meus cordeiros”.

Que o Senhor nos ajude a passar pelo processo que moldou Jonas, alinhando seus propósitos com os dEle mesmo, afinal Ele nos comprou para Si, por alto preço e tem propósitos eternos em cada um de nós.

Jonas – capítulo 3 – O maior evangelista

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Depois de Jonas – o desobediente do capítulo primeiro – passar pelo processo que o quebrantou, nas entranhas do peixe – como vimos no capítulo 2 – ele estava agora pronto para ser um instrumento nas mãos do Senhor. Ao final do livro temos a informação de que a grande cidade de Nínive tinha mais de 120 mil habitantes. Esse foi o impressionante número de pessoas alcançadas pela pregação desse profeta menor – sim, seu livro está entre os 12 livros dos chamados  “profetas menores”, livros de conteúdo literário menor do que o dos cinco livros dos chamados “profetas maiores”.

Esse número de pessoas atingidas pela sua pregação fica ainda mais impressionante quando consideramos que, durante seu ministério, não há registro de nenhum milagre, nenhum sinal sobrenatural que causasse espanto em seus ouvintes ou confirmasse o teor divino de sua mensagem. Os milagres do livro – a preservação de sua vida no interior do peixe e o nascimento e morte repentina da aboboreira – não foram presenciados por mais ninguém além dele mesmo.

Outro fator importante é que Jonas não tinha qualquer “apoio logístico”, digamos assim: Não tinha um meio de transporte, percorreu a pé a grande cidade de Nínive (estudiosos acreditam que ela tinha cerca de 100 km de circunferência!!!). Não tinha ajudantes, nem carro de som ou equipe de louvor…

“Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida!”

Veja só que palavra dura! Talvez Jonas nem soubesse falar fluentemente a língua dos ninivitas, quem sabe só decorou essa frase? Não havia promessas de prosperidade ou de cura divina, apenas o solene aviso do castigo do Todo-Poderoso.

Qual seria, então, o segredo do sucesso do trabalho evangelístico de Jonas? Obediência. A Obra nunca havia sido de Jonas, a Obra era – e é! – do Senhor. Se eu e você crermos nisso, queridos irmãos, se obedecermos às orientações do Senhor fielmente, o Senhor também há de fazer prosperar maravilhosamente o trabalho de nossas mãos.

Cento e vinte mil homens. Já parou para imaginar o encontro celestial entre o apóstolo Pedro, levando consigo a abundante colheita de mais de oito mil almas ganhas pela sua pregação, e o profeta Jonas, com seus molhos quinze vezes mais numerosos? Como diriam os adolescentes hoje: “Aí, humilhou, hein Jonas?”

Por que a cidade em que eu moro, menor do que Nínive, ainda não se voltou para o Senhor, se eu tenho muito melhores recursos do que Jonas? Será que a minha desobediência natural ainda não foi totalmente vencida? Jonas anunciou aos ninivitas que eles estavam vivendo o seu próprio tempo do breve. É muito diferente dos nossos dias? O problema hoje está nos mensageiros ou nas mensagens? Pense nisso.

As palavras de um grande ganhador de almas de Dublim, na Irlanda, Henrique Varley, marcaram profunda e definitivamente o coração de D. L. Moody: O mundo ainda não viu o que Deus fará com, para e pelo homem inteiramente a Ele entregue. Calcula-se que Moody foi usado por Deus para a salvação de mais de 500 mil almas, no século XIX.

No próximo post, o último desta série, veremos que, apesar de não errar mais por desobediência, Jonas ainda tinha uma importante lição para aprender. E para nos ensinar também. Não perca. Até lá.