Convém que Ele cresça e eu diminua

Quando Davi, no seu salmo mais conhecido, diz que seu cálice transbordava depois que sua cabeça era ungida com óleo, minha mente associou a pequena taça com o coração, que biblicamente é considerado o ponto chave do ser humano.

Davi, um servo de Deus maduro, certamente passou por momentos iniciais em seu relacionamento com Deus em que seu coração era um grande vaso, havia ali um grande vazio e tudo que o Senhor lançava ali, ficava só para ele. Mas assim como aconteceu com João Batista – cuja máxima dá nome a esta postagem – Davi foi se diminuindo, mesmo quando Deus o engrandecia, fazendo dele o rei de Israel.

Talvez esteja aí mesmo o segredo do crescimento de Davi: Já rei dizia que era pobre e necessitado e que dependia do cuidado de Deus.

Ao se fazer pequeno, o servo de Deus é rapidamente cheio e até mesmo as pequenas doses do cuidado e do amor de Deus enchem logo o seu coração. Daí pra transbordar aos amigos, familiares, colegas e leitores é um instante…

…porque a boca fala do que está cheio o coração.

Jacó e o travesseiro de pedra

Segundo o livro de Gênesis, na noite em que Jacó descobriu que Deus ligaria o Céu à Terra novamente, ele dormiu com a cabeça recostada a uma pedra, que usou como travesseiro (Cap. 28:11-18).

Ainda bem.

É que, quando acordou, Jacó decidiu usar a mesma pedra para fazer uma coluna, uma espécie de altar improvisado, sobre o qual ele derramou azeite, num gesto simbólico para mostrar sua adoração ao Deus que se revelara a ele.

Digo “ainda bem” porque não se fazem boas colunas com travesseiros. Por óbvias razões.

Este é o evangelho preferido de muita gente

Este é o evangelho preferido de muita gente

A pedra (figura de Jesus em diversas passagens do Velho Testamento) não se amoldou à cabeça de Jacó, assim como não dá para amoldar a Palavra de Deus à nossa mente. Mas nosso contato com ela deixa colunas, marcos importantíssimos e decisivos em nossa caminhada.

Certamente há pontos na Bíblia que não se moldam à mentalidade moderna do homem. Mas, faça como Jacó: conviva com a Pedra e ela se tornará uma referência importantíssima na sua vida.

(o ponta-pé inicial dessa postagem foi do amigo Luiz Henrique Manera. Obrigado, companheiro)

Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus

…para que a seu tempo vos exalte”. Assim diz o apóstolo Pedro em sua segunda carta.

Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus

É desse texto que me lembro quando leio a história da ida do profeta Jeremias à olaria, por ordem do Senhor. Desce – disse Deus – à casa do oleiro e lá te farei ouvir as minhas palavras.

Um belo vaso é um objeto de destaque. Quanto mais esmerado em sua fabricação, mais valioso se torna e alguns chegam a valer muito. São chamados por Paulo de vasos de honra.

O processo pelo qual a matéria prima passa para sair da condição de barro até chegar a vaso é longo e difícil. Mas dá lugar e evidência à habilidade do oleiro. Ao final ele, o oleiro, é reconhecido e elogiado.

Deus é o oleiro por excelência e nós, o barro em suas mãos. O endurecimento do barro (que representa nossa resistência natural à ação de Seu Espírito Santo) só dificulta Sua Obra em nós. Talvez faça com que Ele tenha que colocar mais pressão em Suas mãos para nos modelar.

Mas a Bíblia nos assegura que, humilhando-nos, estaremos apressando o tempo em que Ele nos exaltará. Portanto, se você está sendo moldado pelo Oleiro e quer que esse dolorido processo acabe logo, trate de se aquietar enquanto Ele trabalha.

Porção dobrada do espírito

double-portionEsse foi o pedido que Eliseu fez a Elias, quando caminhavam juntos e Deus estava para encerrar o ministério de um e iniciar o ministério do outro. Os poucos anos em que caminharam juntos foram suficientes para que o jovem profeta visse no ancião sua principal referência.

Claro que Eliseu tinha outras referências disponíveis, como Noé, Abraão, Jacó, Davi e tantos outros. Mas a convivência com Elias tinha marcado bastante o rapaz para que ele não titubeasse quando a pergunta lhe foi feita: “Que queres que te faça?”

É da natureza humana se balizar, se orientar pelo comportamento das pessoas próximas de nós, desde a mais tenra infância. Por certo a fidelidade de Elias, seu zelo para com as coisas do Senhor, sua disposição em obedecer e aprender com o Senhor, deixaram uma forte impressão no rapaz.

Mas observe que para Eliseu não bastava ser como Elias – o que já seria notável. Ele quis mais, quis o dobro. Que o Senhor levante homens e mulheres como Eliseu, dispostos a fazer mais do que seus pares, a buscar a excelência de Deus.

Quero terminar aqui salientando que isso hoje parece cada vez mais raro. Vivemos num tempo em que muitos querem ter o dobro dos direitos e a metade do compromisso. Talvez por razão semelhante o Senhor tenha orientado a Elias que deveria levantar em seu lugar um rancheiro que estava trabalhando arduamente e não um dos muitos alunos da escola de profetas…