Você é de confiança?

Certo dia falava com alguns irmãos a respeito da estrutura da igreja, cujas ligações consistem de um curioso material denominado “confiança”.

Paulo, ao escrever a Timóteo (I Tim 6:20a), aconselha-o a guardar o depósito que lhe fora confiado. Paulo se referia ao seu ministério e ao conhecimento do Projeto de Deus.

O que de mim ouviste, disse mais o apóstolo, “confia-o a homens fiéis” (II Tim 2:2), que por sua vez o transmitiriam a outros da confiança deles.

O Senhor Jesus conhece o coração dos homens. Diz a Palavra que Deus não confia em Seus servos e até em Seus anjos encontra falhas.

Mas Ele mesmo disse: tenho vos chamado amigos, pois tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer (Jo 15:15).

Assim o governo da Igreja é recebido como um “cargo de confiança” e repartido do mesmo modo, pelo que o exerce, entre os que prestam serviços nos diversos setores da casa do Senhor.

Confiança que às vezes se quebra, como acontece desde os dias de Judas Iscariotes, homem de confiança (até certo ponto) entre os doze.

Mas a estrutura é tão perfeita que, enquanto é de confiança, a pessoa permanece. Daí usarmos a expressão “eu estou exercendo função tal…”, nunca “eu sou isso ou aquilo…”.

O Senhor nos propõe confiarmos n’Ele. Poderíamos fazer a Ele proposta semelhante?

Antiga cena doméstica

Entram correndo os três meninos, com aquela urgência infantil, como se o mundo fosse acabar: – Mãe, mãe! – diz o mais velho, sob a concordância dos demais – deixa a gente “irmos” lá na caixa daquele moço, deixa??

A mãe, enquanto arruma a roupa do menorzinho, que tava soltando uma faixa, pergunta, sem muito interesse: – Que caixa de que moço?

– Aquela caixa, mãe, prá onde os bichos tão indo, mãe, deixa?

– É – completa o segundo, com ares de vice – vai ser muuuito legal, tem “neão”, “enefante”…

A mãe corta com uma observação, feita com um ar meio nostálgico: – É, eu vi alguns bichos passarem mesmo. Passou até um casal de ursos polares (nunca tinha visto urso polar nestas bandas…) tão carinhosos um com o outro que até me lembrei de quando conheci o pai de vocês…

– Deixa, mãe, você deixa?

– Não, não, isso não me parece bom… dizem que a família daquele tal Noé é toda de gente doida. Não me parece seguro vocês irem lá, não. E ainda tem um monte de bichos perigosos, lá, não, não, não…

– Mas mãe!…

– Lugar seguro é aqui, perto da mamãe…

E fechando as janelas, comenta:

– Que sair nada. Vai que chove

Dois futuros próximos

Antes de vir para o trabalho, estava lendo o profeta Isaías, no final do cap. 40 e início do 41, quando ele fala dos que “esperam no Senhor”. A Igreja viveu e viverá esperando n’Ele (Jó diz: ainda que Ele me mate, n’Ele esperarei).

Renovarão suas forças, diz o profeta. Existe aí uma referência profética ao arrebatamento da Igreja. Em Apoc. 8, depois do toque da quarta trombeta, lemos sobre uma águia voando no meio do céu, como se tivesse deixado lá para baixo toda a tribulação. É a Igreja fiel, arrebatada, lamentando sobre os que ficaram para trás.

Isso é o que diz o último verso do cap. 40. A primeira ressurreição, onde as forças serão renovadas.

O primeiro verso do cap. 41, logo depois, fala às ilhas e povos, chamados para o juízo, os quais terão também as forças renovadas (ressurreição – a segunda e terrível).

Bem-aventurado e santo o que tem parte na primeira ressurreição – Apoc. 20:6

Reino contra Reino


O entendimento mais comum da passagem de Mateus 24, em que Jesus fala dos sinais da Sua volta, quando menciona que se levantaria reino contra reino, é de que Ele falava sobre a intranqüilidade desta hora e das guerras entre as nações. Porém muitas vezes Jesus menciona o Reino dos céus, fazendo menção ainda do príncipe deste mundo e do seu reino.

Há uma guerra velada em andamento. Por trás de cada movimento político e cada tendência nos mais diversos setores da sociedade, percebe-se uma sutil articulação do mundo espiritual disputando o terreno mais precioso: o coração do homem. Este é o campo de batalha – a vida do homem.

Porém é uma guerra com final estabelecido pelo Todo-Poderoso. Ele jamais será surpreendido ou enganado. O Senhor Jesus voltará, para estabelecer completamente Seu Reino, afirmam as profecias bíblicas, e executará Seu juízo contra seus adversários, pondo fim definitivo ao reino das trevas.

Mas era comum o exército invasor enviar, com alguma antecedência, embaixadores de paz, para propor um acordo e evitar derramamento de sangue desnecessário, muitas vezes até trazendo melhores condições de vida à cidade ou ao país conquistado.

Deus estabeleceu a Igreja com essa função. A primeira (e exemplar) mensagem pregada pelo Senhor Jesus na Galiléia foi: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus!” – Ele propunha desde então um acordo de paz.

Mas, como Ele é o Príncipe da Paz, Sua proposta é muito mais abrangente e envolve não somente paz com Deus, mas também paz na família, na vida profissional e em todos os setores desta vidinha complicada nossa.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” João 14:27

Um abraço a todos…

Relendo o texto anterior, pensei no que havia escrito sobre a distância entre o homem e o seu Criador ser tão grande que só pode ser coberta por uma iniciativa d’Ele.

Isso me fez imaginar o homem de braços estendidos, ainda sem alcançar a Deus (religião) e o próprio Deus, de braços estendidos para o homem, envolvendo seu saudoso filho em um forte e terno abraço.

Isaías dizia que a mão do Senhor não está encolhida (isso dá idéia de braço estendido!) e, ainda no Velho Testamento, encontramos o Senhor dizer que tirou a Israel do cativeiro egípcio com “mão forte e braço estendido”, numa antecipação maravilhosa da vinda do Senhor Jesus, o braço estendido e mão maravilhosa de Deus em nosso meio, nos livrando do cativeiro deste mundo.

Parece que podemos até ouvi-Lo dizer:

“Dá a mão ao Papai, dá…”

Eu sei, religião não se discute…

Não estás longe do Reino dos Céus – disse Jesus a um piedoso judeu, depois de uma resposta sábia que este deu sobre coisas espirituais.

De fato, o judaísmo era a melhor religião na época de Jesus (talvez o seja até hoje…). Ela se distingue de todas as demais pelo fato de ter sido planejada pelo próprio Deus. Todas as suas regras e ritos originais foram dados pelo Senhor a Moisés, no monte Sinai.

Assim, dentre todos os esforços do homem para se religar (daí a palavra religião) a Deus, o judaísmo é o mais próximo do Reino dos Céus. Essa afirmativa é do próprio Deus na palavra de Seu Filho.

Mas, como todas as outras, é um conjunto de ações e pensamentos que tentam aproximar o homem de Deus. Porém a distância entre esses dois é tão, mas tão grande que uma reaproximação só tem efeito se começar da parte de Deus para nós.

Não estás longe do Reino dos Céus… O escriba, que ouviu isso – que deve lhe ter soado como um elogio da parte do Senhor Jesus – ainda que estivesse próximo, não estava dentro do Reino. E esse é um ponto essencial. Dentro ou fora: de um navio, de uma festa, de uma lista – perto não é a mesma coisa que dentro.

Para ele ainda existia o véu, que o separava da Revelação do segredo de Deus.

Por isso o plano de Deus é muito mais excelente do que qualquer religião. Sua origem é o coração do Autor (Planejador) e Consumador (Executor) da fé.

Verbos – final

Concluindo os textos anteriores, analisando os dois versos iniciais do Salmo 116, vamos falar do tempo verbal denominado

Futuro

• “o invocarei enquanto eu viver”

Acho bom iniciarmos o ano pensando nessa “resolução para o futuro” feita pelo rei-poeta-profeta: diante de um futuro tão incerto, cheio de possibilidades, a uma coisa ele se propõe – invocar ao Senhor.

Não faz promessas absurdas ou planos irrealizáveis.

Por fim, o último verbo a ser notado nestes dois versículos é o verbo viver, que fecha o texto e se encontra no tempo verbal chamado infinitivo – sem passado, presente ou futuro – infinitivo, isto é, viver para o servo de Deus é eternidade…

Verbos II

Ainda sobre os tempos verbais existentes nos dois primeiros versos do salmo 116, temos agora o tempo chamado

Presente

• “Amo ao Senhor”

O único verbo dos dois versículos que se encontra no presente é exatamente o que abre o texto: AMO – havendo ignorado, humildemente, o que fez no passado (ainda que seja algo feito com boa intenção), Davi fala do hoje, entendendo que está obedecendo a uma ordem – “Amarás pois o Senhor teu Deus”.

Então, o que fazer hoje? AMAR ao Senhor, de modo sincero e desinteressado, sem esperar recompensas e elogios.